Por que Acredito na Educação Empreendedora

Esses dias, durante uma conversa com um possível cliente, veio uma pergunta que me pegou de surpresa: “Por que você acredita na educação empreendedora?”

A resposta parece simples — afinal, são 10 anos trilhando esse caminho. Mas confesso que, depois da reunião, a pergunta ficou ressoando em mim. Voltei pra casa pensativo, lembrando de onde eu vim e por que sigo fazendo o que faço.

Eu sou formado em Administração. Mas, honestamente? A verdadeira escola foi a vida. Foi a quebrada. Foi o corre. Aprendi sobre gestão tentando manter o caixa positivo, sobre vendas vendendo produtos na rua, de porta em porta (e obviamente me apoiando em muitas teorias também) sobre negociação quando eu fechava a venda ou fechava o negócio e acabava o sonho. Aprendi na marra, como a maioria de quem empreende nas periferias.

E foi justamente aí que eu percebi: o que faltava não era vontade, nem talento, nem sonho. Era conhecimento acessível, prático, direto. Faltava uma ponte entre onde estávamos e onde poderíamos chegar.

É por isso que eu acredito na educação empreendedora.

Porque ela não é sobre PowerPoint, nem sobre jargão em inglês. Ela é sobre ensinar alguém a transformar uma receita de família num negócio. É mostrar que aquele salão improvisado pode virar um salão de verdade. É ensinar que dá pra planejar, organizar, crescer — mesmo com pouco.

A educação empreendedora é a ponte. Ela atravessa o abismo da falta de oportunidade, do desânimo, da desinformação. Ela resgata sonhos. E mais do que isso: ela reconstrói a autoestima de quem ouviu a vida toda que não ia dar em nada.

Quando vejo uma mãe de três filhos conseguindo pagar as contas com o que aprendeu no curso, quando vejo um jovem da quebrada acreditando que pode empreender sem sair da sua comunidade, eu sei que vale a pena. E sei que é só o começo.

Acreditar na educação empreendedora é, pra mim, acreditar nas pessoas. E você? Acredita também?